Mudanças da Reforma Tributária que vão impactar sua empresa em janeiro de 2026: entenda o que vem por aí

A Reforma Tributária, aprovada em 2023 e em fase de regulamentação durante 2024 e 2025, está prestes a provocar as primeiras mudanças práticas no ambiente de negócios brasileiro. 

A partir de janeiro de 2026, empresas de todos os portes precisarão se adaptar a novidades que vão muito além do novo sistema de tributos.

Entre os destaques estão o início dos testes do IVA (Imposto sobre Valor Agregado), ajustes no layout da Nota Fiscal eletrônica (NF-e) e novas exigências de integração tecnológica para quem emite documentos fiscais. 

Essas alterações marcam o primeiro passo da transição para o modelo definitivo que substituirá PIS, Cofins, ICMS e ISS por tributos unificados.

Neste artigo, a PEC Contabilidade explica em detalhes o que muda já em 2026, como essas mudanças afetam a rotina empresarial e quais medidas sua empresa deve adotar desde agora para evitar riscos e aproveitar oportunidades.

O novo cenário da Reforma Tributária

A Emenda Constitucional 132/2023 criou as bases de uma mudança histórica na forma de arrecadar tributos no Brasil. O objetivo é simplificar o sistema, hoje marcado por múltiplos impostos federais, estaduais e municipais, cada um com regras próprias, o que gera custos elevados e insegurança jurídica.

O ponto central da reforma é a criação de um IVA dual:

  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de competência compartilhada por estados e municípios, que vai substituir ICMS e ISS.
  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal, que substituirá PIS e Cofins.

A implementação será gradual entre 2026 e 2033, mas já no primeiro ano da transição haverá mudanças significativas para as empresas. 

O governo usará 2026 como fase de testes e adaptação, o que inclui novo layout da NF-e, ajustes em sistemas de ERP e a criação do chamado IVA teste.

Início do “IVA teste”: a fase piloto para o novo sistema

Em janeiro de 2026 entra em vigor a fase de testes do novo sistema de tributação, que servirá para calibrar as alíquotas do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).

Ao contrário do que muitos imaginaram inicialmente, não será apenas um teste teórico. O governo federal anunciou que:

  • IBS terá alíquota de 0,1%;
  • CBS terá alíquota de 0,9%.

O ponto crucial é que o valor efetivamente recolhido em 2026 poderá ser compensado com o pagamento de PIS/Cofins e de outros tributos federais.

Sendo assim, essa primeira etapa tem caráter prático e arrecadatório, mas com impacto financeiro neutro para as empresas, já que o que for pago poderá ser utilizado como crédito para abater tributos devidos no mesmo período.

Essa calibragem permitirá que União, estados e municípios:

  • testem a infraestrutura tecnológica do novo modelo;
  • coletem dados reais para ajustar as alíquotas definitivas;
  • garantam uma transição mais suave para a substituição completa de PIS, Cofins, ICMS e ISS até 2033.

Mudanças no layout da Nota Fiscal eletrônica (NF-e)

Outro ponto central da reforma é a padronização nacional dos documentos fiscais. A partir de janeiro de 2026, entrará em vigor uma nova versão do layout da NF-e, adaptada para contemplar os campos e códigos do IBS e da CBS.

Entre as alterações esperadas, destacam-se:

  • Inclusão de novos campos de identificação dos tributos unificados;
  • Ajustes nos códigos de situação tributária (CST), para compatibilizar com o IVA;
  • Regras mais rigorosas de validação em tempo real, aumentando o nível de detalhamento exigido.

Empresas que emitem notas precisarão atualizar seus sistemas de emissão e garantir que as integrações com softwares de gestão estejam preparadas para o novo modelo. 

Falhas no envio ou no preenchimento dos campos podem gerar rejeições, atrasos em faturamento e penalidades.

Além disso, a Receita Federal e os fiscos estaduais pretendem usar esse novo padrão para centralizar informações, permitindo cruzamentos automáticos entre operações estaduais, municipais e federais. Isso exigirá maior atenção na consistência dos dados.

Ajustes nos sistemas de ERP e na automação fiscal

Com o IVA teste e o novo layout da NF-e, os sistemas de gestão empresarial (ERP) terão papel fundamental. As empresas precisarão:

  • Atualizar cadastros de produtos, serviços e NCMs, garantindo que todos os códigos estejam alinhados aos novos tributos;
  • Revisar processos de integração entre faturamento, estoque e contabilidade;
  • Realizar testes de emissão em ambiente de homologação, evitando erros quando o sistema oficial entrar em operação.

Essa etapa de preparação é especialmente relevante para negócios com grande volume de notas fiscais. 

Quanto mais complexo o fluxo de emissão, maior o risco de inconsistências se as adaptações não forem feitas com antecedência.

Impacto nas rotinas contábeis e no planejamento tributário

Mesmo que o IVA teste de 2026 não envolva recolhimento efetivo, a rotina contábil já será impactada:

  • O contador precisará gerar obrigações acessórias em paralelo, o sistema atual (PIS, Cofins, ICMS, ISS) continuará valendo e, ao mesmo tempo, será necessário transmitir as informações no novo formato do IVA.
  • O planejamento tributário terá de considerar o futuro cenário de alíquotas, já que os testes servirão de base para definir a carga definitiva.
  • Empresas com benefícios fiscais estaduais ou municipais devem acompanhar de perto as regras de transição, pois a tendência é que muitos incentivos sejam revistos ou extintos gradualmente.

A equipe contábil será, portanto, peça-chave para guiar o empresário nesse período. Contar com profissionais atualizados e com comunicação direta com a área de tecnologia é um diferencial competitivo.

Conclusão

A Reforma Tributária não é apenas uma mudança de siglas ou alíquotas: ela altera profundamente a forma como as empresas brasileiras emitem documentos, prestam informações ao fisco e planejam sua carga de impostos. Janeiro de 2026 marca o início da fase prática, com o IVA teste e o novo layout da NF-e, além de integrações fiscais mais rigorosas.

Empresas que se prepararem desde já terão uma vantagem competitiva, reduzindo riscos e ganhando eficiência. 

Conte com uma contabilidade especializada para navegar com segurança por esse período de transição e aproveitar as oportunidades que a simplificação do sistema tributário promete trazer.

Entre em contato conosco, fale com um dos nossos especialistas e comece a preparar a sua empresa.

Como uma contabilidade digital, atendemos empresas de todas as partes do Brasil!

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Odacil

CEO da PEC e especialista em recuperação de impostos.

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