Reforma tributária e o novo IVA: como as empresas devem se preparar para a transição?

A reforma tributária aprovada pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentada pelas leis complementares publicadas em 2025 está promovendo mudanças profundas no sistema de impostos brasileiro. 

Entre as principais novidades está a criação do Imposto sobre Valor Adicionado (IVA), que substituirá tributos sobre o consumo e trará uma nova lógica de cobrança.

Essa transformação exigirá que empresas de todos os portes — de microempreendedores a grandes corporações, ajustem seus processos, controles fiscais e estratégias para manter a competitividade e evitar aumento de custos.

Neste artigo, vamos explicar o que é o IVA, como ele funcionará no Brasil, quais serão os impactos dessa mudança e como sua empresa pode se preparar para uma transição tranquila.

O que é o IVA na reforma tributária

O IVA (Imposto sobre Valor Adicionado) é um modelo tributário amplamente utilizado no mundo e que unifica tributos sobre consumo em um único imposto, com regras mais claras e uniformes.

No caso brasileiro, o IVA será dividido em duas partes:

  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): Gerenciado por estados e municípios, substituindo o ICMS e o ISS.
  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): Gerenciada pela União, substituindo o PIS e a Cofins.

Essa estrutura manterá a arrecadação descentralizada, mas com um formato padronizado e regras mais próximas de modelos internacionais.

Como funcionará o IVA brasileiro

O funcionamento do IVA no Brasil será baseado no princípio da não cumulatividade plena, ou seja, o imposto pago nas etapas anteriores poderá ser creditado integralmente nas etapas seguintes da cadeia produtiva.

Isso significa que:

  • Cada empresa pagará o imposto apenas sobre o valor que adiciona ao produto ou serviço.
  • As operações terão alíquota uniforme, com poucas exceções.
  • Os créditos poderão ser usados de forma ampla, inclusive entre bens e serviços.

Com esse formato, espera-se reduzir distorções do sistema atual, como a guerra fiscal entre estados e a complexidade de diferentes regimes e alíquotas.

Cronograma de implementação do IVA

A transição para o IVA não será imediata. O governo estabeleceu um período de adaptação gradual, para evitar impactos abruptos:

  1. 2026: Início da cobrança do CBS com alíquota teste de 1%, mantendo os tributos antigos.
  2. 2027 a 2032: Aumento gradual das alíquotas do IBS e CBS e redução proporcional do ICMS, ISS, PIS e Cofins.
  3. 2033: Extinção completa dos tributos antigos e funcionamento exclusivo do IVA.

Esse período de transição é uma oportunidade para as empresas ajustarem seus sistemas, treinar equipes e rever contratos, evitando problemas quando o novo modelo estiver em vigor integralmente.

Impactos esperados para as empresas

A adoção do IVA trará efeitos diferentes para cada setor. Alguns dos principais impactos são:

  • Simplificação tributária:

Com a unificação de tributos, haverá menos obrigações acessórias e mais previsibilidade na cobrança. No entanto, essa simplificação só será percebida de forma plena após a transição.

  • Possível aumento ou redução de carga tributária: 

Setores que hoje contam com benefícios fiscais específicos podem ver aumento na alíquota efetiva, enquanto outros terão redução. Será essencial fazer simulações personalizadas.

  • Mudança na formação de preços

O IVA impactará diretamente o cálculo de custos e margens, já que o crédito tributário será mais abrangente. Isso exigirá ajustes na precificação e nas negociações com fornecedores e clientes.

  • Maior transparência na cobrança

O IVA permitirá que consumidores e empresas vejam de forma mais clara quanto de imposto está sendo pago em cada operação, fortalecendo o controle social.

Como as empresas devem se preparar para a transição

A preparação para o novo IVA deve começar agora, mesmo que a implementação completa só ocorra em alguns anos. Veja os principais passos:

1.Realizar um diagnóstico tributário

Antes de qualquer mudança, é fundamental entender o cenário atual da empresa:

  • Qual a carga tributária efetiva hoje?
  • Quais benefícios fiscais são utilizados?
  • Qual o impacto esperado do IVA no seu setor?

Com base nessas respostas, é possível elaborar um planejamento tributário preventivo.

2.Investir em tecnologia e automação fiscal

O IVA exigirá controle detalhado de créditos e débitos tributários, o que só é possível com sistemas eficientes de gestão. 

Softwares de ERP e automação fiscal ajudarão a:

  • Reduzir erros de cálculo.
  • Garantir que os créditos sejam aproveitados corretamente.
  • Facilitar a entrega das obrigações acessórias.

3.Treinar a equipe contábil e fiscal

Profissionais de contabilidade, controladoria e finanças precisarão dominar as novas regras. É recomendável investir em:

  • Cursos especializados.
  • Workshops internos.
  • Consultorias externas para acompanhamento das mudanças.

4.Revisar contratos e cadeias de fornecimento

Com a possibilidade de créditos mais amplos, será vantajoso buscar fornecedores que garantam documentação fiscal correta, evitando perda de aproveitamento tributário.

Durante o período de transição, as empresas poderão conviver com dois sistemas de cobrança ao mesmo tempo, o que exigirá atenção redobrada ao fluxo de caixa.

Pontos de atenção para micro e pequenas empresas

Embora o Simples Nacional continue existindo, empresas optantes poderão ter que decidir se recolhem o IVA (IBS e CBS) diretamente pelo regime unificado ou separadamente. 

Na prática, isso vai depender do perfil de clientes, da cadeia de fornecedores e do volume de créditos aproveitáveis.

Empresas de menor porte também precisarão:

  • Entender como a alíquota do Simples será ajustada.
  • Avaliar se vale a pena migrar para outro regime no futuro.
  • Contar com orientação contábil contínua para evitar surpresas.

O papel da contabilidade no período de transição

A transição para o IVA não será apenas uma mudança na forma de recolher tributos. Ela afetará a gestão de custos, preços e até a estratégia comercial.

Uma contabilidade especializada será essencial para:

  • Simular diferentes cenários de carga tributária.
  • Orientar sobre o melhor regime fiscal durante e após a transição.
  • Acompanhar alterações na legislação.
  • Garantir conformidade fiscal e evitar autuações.

Conclusão

A implementação do IVA na reforma tributária representa um marco histórico para o sistema fiscal brasileiro. 

Embora o objetivo seja simplificar e tornar a tributação mais justa, o processo de transição exigirá planejamento, investimentos em tecnologia e apoio especializado.

Empresas que se anteciparem, realizando diagnósticos e ajustando processos, terão mais segurança para atravessar essa mudança sem perder competitividade.

A PEC Contabilidade está preparada para orientar sua empresa nesse momento de transformação. Nossa equipe acompanha de perto todas as mudanças legislativas e desenvolve estratégias personalizadas para que seu negócio se adapte ao IVA com tranquilidade e eficiência.

Entre em contato e descubra como podemos ajudar a sua empresa a se preparar para o futuro da tributação no Brasil.

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Odacil

CEO da PEC e especialista em recuperação de impostos.

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