O que é imposto seletivo na reforma tributária?

A reforma tributária, aprovada pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentada ao longo de 2024 e 2025, trouxe mudanças significativas para o sistema de impostos brasileiro. 

Entre as principais novidades está o Imposto Seletivo (IS), um tributo que tem gerado muitas dúvidas em empresários e consumidores.

Mas, afinal, o que é o imposto seletivo? Quais produtos ou serviços serão tributados? Como ele será cobrado e qual será o impacto nos negócios? 

Neste artigo, vamos explicar em detalhes tudo o que você precisa saber sobre o Imposto Seletivo na reforma tributária.

O que é o Imposto Seletivo?

O Imposto Seletivo (IS) é um novo tributo criado pela reforma tributária com objetivo extrafiscal, ou seja, ele não tem como foco principal apenas a arrecadação, mas sim desestimular o consumo de produtos e serviços prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

Na prática, o imposto funcionará como um adicional sobre determinados itens considerados nocivos, tornando-os mais caros e, consequentemente, menos atrativos ao consumidor.

Esse modelo já existe em vários países e é conhecido como “sin tax” (imposto do pecado), aplicado em produtos como cigarros, bebidas alcoólicas e combustíveis poluentes.

Qual é a finalidade do Imposto Seletivo?

O IS tem dois objetivos centrais:

  1. Reduzir o consumo de produtos nocivos: Ao encarecer itens prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, o governo busca incentivar escolhas mais saudáveis e sustentáveis.
  2. Compensar a desoneração de outros setores: Como a reforma substitui tributos como ICMS, ISS, PIS e Cofins por IBS e CBS, o Imposto Seletivo ajuda a recompor parte da arrecadação.

Assim, além de funcionar como um instrumento de política pública, ele também auxilia na manutenção do equilíbrio das contas públicas.

Quais produtos serão afetados?

A lista definitiva de produtos sujeitos ao Imposto Seletivo será definida por lei complementar. No entanto, a própria reforma tributária já apontou os principais alvos:

  • Bebidas alcoólicas (cervejas, vinhos, destilados, etc.);
  • Cigarros e derivados do tabaco;
  • Refrigerantes e bebidas açucaradas;
  • Produtos poluentes ou que causem danos ao meio ambiente (como combustíveis fósseis, plástico descartável e outros).

É importante destacar que o imposto não se aplica a bens essenciais, como alimentos básicos, medicamentos e insumos de saúde.

Como será a cobrança do Imposto Seletivo?

O IS funcionará como um tributo adicional ao IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e à CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).

Isso significa que, em determinados produtos, além da alíquota padrão do IBS e da CBS (que deve girar em torno de 25% a 27,5%), haverá ainda o acréscimo do Imposto Seletivo, cuja alíquota será definida para cada categoria de produto.

Por exemplo:

  • Um cigarro ou uma bebida alcoólica terá incidência de IBS + CBS + IS.
  • Um pacote de arroz terá apenas IBS + CBS, sem imposto seletivo.

Cronograma de implementação

Assim como os demais pontos da reforma tributária, o Imposto Seletivo será implementado gradualmente:

  • 2026 a 2027: Início da cobrança com alíquotas reduzidas, fase de testes.
  • 2029 a 2032: Aumento progressivo das alíquotas e consolidação do sistema.
  • 2033 em diante: Funcionamento integral, junto com o novo modelo tributário.

Durante esse período, a legislação detalhará quais setores serão incluídos e quais alíquotas serão aplicadas.

Impactos do Imposto Seletivo para empresas

O Imposto Seletivo terá impacto direto em vários setores. Vamos analisar os principais:

1.Indústria de bebidas e tabaco: São os mais afetados, pois já sofrem hoje com tributação elevada. Com o IS, a carga ficará ainda maior, exigindo planejamento de preços e estratégias de mercado.

2.Comércio varejista: Supermercados, bares e restaurantes que vendem bebidas alcoólicas, cigarros e refrigerantes terão que repassar os custos ao consumidor, ajustando margens de lucro.

3.Setor de combustíveis: Produtos derivados do petróleo e combustíveis fósseis estão na mira do IS. Isso pode impactar toda a cadeia de transportes e logística, aumentando custos operacionais.

4.Consumidores finais: Para o consumidor, os produtos sujeitos ao imposto seletivo ficarão mais caros. Isso pode gerar queda no consumo, mas também estimular alternativas mais saudáveis e sustentáveis.

O imposto seletivo pode gerar aumento da carga tributária?

Essa é uma das maiores preocupações. Como a alíquota padrão do IBS e da CBS já é alta (25% a 27,5%), a aplicação do Imposto Seletivo em alguns produtos pode levar a um encarecimento significativo.

Por outro lado, como a ideia é restringir o consumo de itens nocivos, espera-se que o impacto seja concentrado em setores específicos, e não no conjunto da economia

Imagine a venda de uma garrafa de bebida alcoólica que hoje custa R$ 50.

  • Carga tributária atual (ICMS + IPI + PIS + COFINS): cerca de 30%.
  • No novo modelo: IBS + CBS (cerca de 25%) + IS (por exemplo, 10%).

Preço final para o consumidor: R$ 50 + 35% = R$ 67,50.

Esse aumento é justamente o efeito esperado do imposto seletivo: encarecer para reduzir o consumo.

Como se preparar para o Imposto Seletivo

Empresas que vendem ou produzem itens que podem ser tributados pelo IS precisam se antecipar:

  • Planeje o impacto nos custos: Simule cenários com diferentes alíquotas.
  • Revise a precificação: Ajuste margens para manter a competitividade.
  • Invista em alternativas: Produtos mais saudáveis e sustentáveis tendem a ganhar espaço.
  • Conte com apoio contábil: Uma contabilidade especializada pode ajudar a acompanhar as mudanças e reduzir riscos fiscais.

Conclusão

O Imposto Seletivo na reforma tributária é um tributo voltado para desestimular o consumo de produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, como bebidas alcoólicas, cigarros, refrigerantes e combustíveis poluentes.

Embora ainda haja pontos a serem definidos, já é certo que ele representará um acréscimo na carga tributária desses setores, impactando tanto empresas quanto consumidores.

Por isso, é fundamental que empresários e empreendedores estejam atentos à regulamentação e busquem apoio profissional para planejar o impacto financeiro e tributário dessa nova realidade.

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Odacil

CEO da PEC e especialista em recuperação de impostos.

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