O planejamento tributário ganhou ainda mais importância com a chegada do IBS e da CBS. A Reforma Tributária muda não apenas os impostos cobrados das empresas, mas também a lógica dos créditos, a formação de preços, a relação com fornecedores e clientes e até a escolha do regime tributário.
Por isso, esperar todas as mudanças entrarem em vigor para descobrir quanto sua empresa pagará pode ser um erro. O ideal é aproveitar o período de transição para fazer simulações, identificar riscos e avaliar oportunidades.
Neste conteúdo, a PEC Contabilidade explica como estruturar um planejamento tributário considerando IBS, CBS e os impactos da Reforma Tributária.
Por que fazer um planejamento tributário antes do IBS e da CBS?
Um dos maiores erros que uma empresa pode cometer é imaginar que basta descobrir as futuras alíquotas de IBS e CBS e aplicá-las sobre o faturamento. A conta é mais complexa.
O novo modelo utiliza uma sistemática ampla de não cumulatividade. Isso significa que, para muitas empresas, os créditos tributários relacionados às aquisições terão papel fundamental na determinação da carga efetiva.
Duas empresas com faturamento semelhante podem enfrentar impactos completamente diferentes dependendo de fatores como:
- Quantidade de insumos e serviços adquiridos;
- Fornecedores utilizados;
- Possibilidade de apropriação de créditos;
- Perfil dos clientes;
- Atividade desenvolvida;
- Benefícios e reduções aplicáveis;
- Regime tributário;
- Margem de lucro.
Um bom planejamento tributário precisa considerar todos esses elementos.
O objetivo não é simplesmente descobrir a alíquota dos novos impostos, mas entender quanto efetivamente permanecerá como custo para a empresa depois dos créditos e como isso afetará preços e margens.
Qual é o primeiro passo do planejamento tributário?
O primeiro passo é fazer um diagnóstico da situação atual. Antes de projetar o futuro, precisamos entender como a empresa funciona hoje.
Na prática, isso inclui levantar:
- Faturamento;
- Regime tributário;
- Impostos pagos;
- Custos;
- Despesas;
- Principais fornecedores;
- Perfil dos clientes;
- Margens e particularidades das operações.
Também é importante mapear como as compras e vendas estão distribuídas. Uma empresa que compra muitos insumos pode ter uma capacidade de aproveitamento de créditos bem diferente de uma prestadora de serviços cuja maior despesa é a folha de pagamento.
Da mesma forma, um negócio B2B pode sentir efeitos comerciais diferentes de uma empresa que vende diretamente ao consumidor final.
O diagnóstico deve responder três perguntas básicas:
- Quanto a empresa paga atualmente?
- Quanto poderá pagar com IBS e CBS?
- Como a nova tributação afetará preços, margem e competitividade?
Sem essas respostas, qualquer decisão tributária será baseada em suposições.
Como mapear os créditos de IBS e CBS?
O mapeamento dos créditos deve ocupar posição central no planejamento tributário.
IBS e CBS foram estruturados para funcionar com uma lógica de não cumulatividade, permitindo, observadas as regras legais, o aproveitamento de créditos relacionados às aquisições realizadas pelo contribuinte.
- Por isso, não basta analisar as vendas. Será necessário olhar também para as compras.
A empresa deve identificar seus principais fornecedores, o tratamento tributário das aquisições e quanto de crédito poderá ser aproveitado.
Imagine, de forma simplificada, uma empresa que tenha R$ 100 mil em débitos de IBS e CBS nas vendas e R$ 60 mil em créditos decorrentes das aquisições.
O impacto efetivo não deve ser analisado olhando somente para os R$ 100 mil. Os R$ 60 mil de créditos também fazem parte da equação.
Esse é um dos motivos pelos quais comparar apenas alíquotas pode levar a conclusões erradas. Compras, fiscal e contabilidade precisarão trabalhar de maneira muito mais integrada.
É preciso rever fornecedores com a Reforma Tributária?
Em alguns casos, sim. A Reforma Tributária pode fazer com que a condição tributária do fornecedor tenha influência maior sobre o custo efetivo das aquisições.
Se determinada compra gera crédito e outra semelhante gera crédito menor, a diferença pode alterar o custo real para o adquirente.
Por isso, durante o planejamento tributário, vale mapear os principais fornecedores e avaliar o efeito dos créditos proporcionados pelas operações. Isso será especialmente relevante nas relações B2B.
Não significa que as empresas devam simplesmente trocar fornecedores por questões tributárias. Preço, qualidade, prazo, logística e relacionamento continuam sendo fundamentais.
- A diferença é que o crédito tributário passa a ser mais uma variável dessa decisão.
Em determinadas situações, uma mercadoria aparentemente mais cara pode possuir um custo líquido menor depois dos créditos.
A área de compras, portanto, também precisa participar da preparação para IBS e CBS.
A formação de preços precisa entrar no planejamento tributário?
Com certeza. Não adianta descobrir quanto a empresa pagará de IBS e CBS sem avaliar como os novos tributos afetarão sua margem.
O planejamento tributário precisa conversar diretamente com a formação de preços.
Imagine que a empresa descubra aumento do custo tributário efetivo em determinada operação. Existem algumas possibilidades:
- Absorver o impacto;
- Reduzir custos;
- Renegociar condições;
- Repassar parte dele ao preço.
Cada alternativa afeta a margem ou a competitividade.
A pergunta não é apenas “Quanto imposto vou pagar?”, mas também “Quanto lucro restará depois da mudança?”
O fluxo de caixa também será afetado?
Sim. E esse ponto não pode ser ignorado. A Reforma Tributária prevê novos mecanismos de arrecadação, incluindo o split payment, no qual o valor correspondente ao tributo poderá ser segregado durante o processo de pagamento.
Com a implementação desse mecanismo, parte dos recursos relacionados aos impostos poderá deixar de permanecer temporariamente no caixa da empresa.
- Negócios que hoje utilizam esses valores como capital de giro precisam se preparar.
Além disso, a dinâmica entre pagamento dos tributos, utilização de créditos e recebimento das vendas pode modificar a necessidade financeira da empresa. Um planejamento deve, portanto, incluir projeções de fluxo de caixa.
Economizar imposto é importante, mas escolher uma estrutura que provoque problemas financeiros também não é uma boa estratégia.
Faça seu planejamento tributário com a PEC Contabilidade
A chegada do IBS e da CBS muda profundamente a forma como as empresas precisam analisar seus impostos. Olhar somente para alíquotas não será suficiente.
Um planejamento tributário eficiente deve considerar créditos, fornecedores, clientes, regime tributário, preços, margens e fluxo de caixa.
Quanto antes, simulações tributárias forem realizadas, maior será o tempo disponível para corrigir processos e tomar decisões.
A PEC Contabilidade pode analisar os números da sua empresa, comparar cenários e identificar os impactos da Reforma Tributária antes que eles apareçam no caixa.
Não espere IBS e CBS entrarem definitivamente na rotina para começar a fazer contas. Entre em contato com a PEC Contabilidade e prepare seu planejamento tributário para o novo cenário.


