Pagar IBS e CBS dentro ou fora do Simples Nacional? Essa passou a ser uma decisão muito estratégica para milhares de micro e pequenas empresas após a Reforma Tributária.
A nova legislação passou a permitir que empresas optantes pelo Simples Nacional escolham, entre recolher o IBS e a CBS dentro da guia única (DAS) ou separadamente.
À primeira vista, essa possibilidade pode parecer apenas uma mudança na forma de pagar impostos. Na prática, porém, ela pode influenciar diretamente a competitividade da empresa.
Mas afinal, qual alternativa é melhor? Vale a pena continuar recolhendo tudo no DAS ou separar o IBS e a CBS? A resposta depende do perfil do negócio, dos clientes atendidos e da estratégia comercial da empresa.
Como funciona o recolhimento do IBS e da CBS dentro do Simples Nacional?
O Simples Nacional continua existindo após a Reforma Tributária e permanece sendo um regime simplificado de tributação.
Quando a empresa opta por recolher o IBS e a CBS dentro do Simples Nacional, esses tributos permanecem incorporados ao Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), juntamente com os demais impostos abrangidos pelo regime.
Para o empresário, praticamente nada muda na rotina de recolhimento. A empresa continua pagando uma única guia mensal, com menor burocracia e uma administração tributária simplificada.
No entanto, existe uma consequência importante dessa escolha: o IBS e a CBS pagos dentro do DAS não geram créditos tributários para o comprador.
Esse detalhe pode fazer muita diferença para empresas que atendem outras pessoas jurídicas.
Por que a geração de créditos é tão importante?
A Reforma Tributária foi construída com base na lógica do IVA (Imposto sobre Valor Agregado).
Nesse modelo, empresas podem descontar dos tributos devidos os créditos referentes aos impostos pagos nas etapas anteriores da cadeia produtiva.
Imagine uma indústria que compra serviços de tecnologia, consultoria ou marketing. Se o fornecedor destacar IBS e CBS na nota fiscal, a indústria poderá utilizar esses valores como crédito para reduzir o imposto que pagará nas suas próprias operações.
Agora imagine o mesmo serviço sendo contratado de uma empresa que recolhe IBS e CBS apenas dentro do Simples Nacional. Nesse caso, não haverá crédito tributário para o cliente.
Na prática, contratar esse fornecedor pode se tornar financeiramente menos interessante, já que a empresa compradora perde a oportunidade de recuperar parte da tributação.
- É justamente esse aspecto que explica por que tantas empresas do Simples estão reavaliando sua estratégia tributária.
O que acontece quando o IBS e a CBS são recolhidos fora do Simples?
A segunda alternativa prevista na legislação permite que a empresa permaneça enquadrada no Simples Nacional para os demais tributos, mas recolha IBS e CBS separadamente.
Nesse modelo, esses tributos passam a ser destacados na nota fiscal.
Como consequência, o cliente pode aproveitar créditos tributários de IBS e CBS, exatamente como ocorre nas operações realizadas entre empresas dos regimes de Lucro Presumido e Lucro Real.
Esse mecanismo aproxima a empresa optante pelo Simples Nacional do funcionamento do novo IVA, aumentando sua competitividade em operações B2B.
Em outras palavras, a empresa deixa de ser vista apenas como um fornecedor que não gera créditos e passa a oferecer uma vantagem tributária aos seus clientes.
Quando é melhor recolher IBS e CBS dentro do Simples?
Nem todas as empresas precisam optar pelo recolhimento separado. Negócios cujo público é formado por consumidores finais dificilmente obtêm vantagem competitiva com a geração de créditos tributários.
- Isso ocorre porque pessoas físicas não utilizam créditos de IBS e CBS.
Assim, empresas como clínicas, salões de beleza, academias, restaurantes, varejistas e diversos prestadores de serviços voltados ao consumidor final podem continuar encontrando no DAS a alternativa mais simples e econômica.
Além da simplicidade operacional, o recolhimento unificado reduz controles, obrigações acessórias e custos administrativos.
Quando é melhor recolher IBS e CBS fora do Simples?
Mais do que analisar alíquotas, a empresa deve entender quem são seus clientes.
Uma empresa que vende quase exclusivamente para consumidores finais provavelmente terá poucos benefícios ao recolher IBS e CBS fora do Simples.
Já um fornecedor cujo faturamento depende principalmente de contratos com outras empresas pode ganhar competitividade ao permitir que seus clientes aproveitem créditos tributários.
- Essa análise passa a fazer parte do planejamento tributário anual e poderá influenciar diretamente o crescimento do negócio.
O planejamento tributário será indispensável
Não existe uma resposta única para todas as empresas. A melhor alternativa dependerá de fatores como:
- Percentual de vendas para pessoas jurídicas;
- Percentual de vendas para consumidores finais;
- Margem de lucro;
- Segmento de atuação;
- Porte dos clientes;
- Impacto financeiro do crédito tributário nas negociações;
- Custos administrativos da operação.
Uma simulação tributária é a única forma de identificar qual opção oferece o melhor resultado econômico.
Como a PEC Contabilidade pode ajudar?
A escolha entre recolher o IBS e a CBS dentro ou fora do Simples Nacional exige muito mais do que conhecer a legislação. É preciso avaliar os impactos tributários, comerciais e financeiros de cada alternativa.
A PEC Contabilidade realiza simulações personalizadas para comparar os dois modelos de recolhimento, analisando o perfil da carteira de clientes, o potencial de geração de créditos tributários, a carga tributária efetiva e os custos operacionais envolvidos.
Assim, sua empresa toma uma decisão baseada em dados concretos, preserva sua competitividade e aproveita as oportunidades criadas pela Reforma Tributária.
Conclusão
A possibilidade de pagar IBS e CBS dentro ou fora do Simples Nacional representa uma das mudanças mais relevantes trazidas pela Reforma Tributária para micro e pequenas empresas. O grande diferencial do recolhimento separado está na geração de créditos tributários para os clientes, algo que não ocorre quando esses tributos permanecem incluídos no DAS.
Isso significa que empresas que atuam no mercado B2B podem se tornar mais competitivas ao optar pelo recolhimento separado, enquanto negócios voltados ao consumidor final talvez continuem encontrando mais vantagens na simplicidade do Simples Nacional.
Como cada empresa possui uma realidade diferente, a decisão deve ser tomada com base em planejamento tributário e simulações financeiras.
Com o apoio da PEC Contabilidade, é possível identificar qual modelo gera mais economia, fortalece o relacionamento com os clientes e contribui para o crescimento sustentável do negócio.
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